quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pra não dizer que não falei da Copa por Raimundo Soares Filho



Raimundo Soares Filho. (Foto: Reprodução).
Minha primeira Copa do Mundo foi em 1978, assistíamos aos jogos pelo rádio, normalmente perto de um posto de energia elétrica.

Lembro bem que o Brasil se classificou com um gol de Roberto Dinamite contra a Áustria, que garantiu nossa primeira vitória na Copa, comemorado com sacos de bombom jogados na rua (hoje Calçadão) por Roso Bitu. Eu já tinha um pôster de Dinamite Campeão Brasileiro de 1974.

Alguém (não lembro quem) teve a ideia de colocar uma antena em cima da grande Caixa D´água ao lado da prefeitura e assistimos aos jogos finais em uma tv improvisada na sombra daquele monumento desativado.

O Brasil começou a crescer na competição, ancorado no bom futebol de Dirceu, Roberto Dinamite e Nelinho. A seleção venceu a grande seleção peruana por 3x0 e empatou com a Argentina.

Naquela Copa testemunhamos a primeira maracutaia da Fifa, mas não tínhamos senso para assimilar aquilo, só queríamos ver gol. Antes da terceira rodada, a FIFA, de maneira unilateral anunciou a mudança no horário do jogo Argentina e Peru. Com isso, a Argentina sabendo de quanto deveria ganhar para passar à final. O Brasil protestou mas não adiantou. A seleção ganhou de forma brilhante da forte seleção polonesa por 3x1, mas a Argentina conseguiu o improvável. Com o Peru andando em campo, abrindo mão do direito de jogar, e com um goleiro no gol que era argentino de nascimento, perdeu de 6x0 para os portenhos, que tinham que vencer por no mínimo 4x0 para chegar à final.

Muitos protestaram dizendo que o Peru se vendeu, mas nós já estávamos torcendo para a disputa do terceiro lugar. Brasil e Itália, fizeram um jogo disputado e violento. A Itália abriu o placar, mas o Brasil conseguiu a virada, sendo que Nelinho marcou um golaço, com um chute de fora da área, quase na lateral do campo, que enganou o grande goleiro Dino Zoff. O outro gol foi do vascaíno Dirceu.

Iludidos comemoramos "O Brasil como o campeão moral da Copa!", por perder o título sem perder nenhuma partida.

Fui torcedor fanático, fui presidente de Associação Esportiva, mas tinha futebol como seu carro chefe, fui árbitro de futebol, fui jogador de futebol, fui dono de time, meu time foi “roubado” várias vezes, mas somente no dia 13 de abril de 2014 decidi que futebol não era minha praia.

Uma frase replicada por um altaneirense ilustre na manhã do dia seguinte mostrou o que realmente é o futebol: “ROUBADO É MAIS GOSTOSO” postou na rede social, assim mesmo em caixa alta, em foto com a camisa do seu time.

Nunca mais assisti a uma partida de futebol.

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Texto do Advogado e Blogueiro Raimundo Soares Filho encaminhado via correio eletrônico a redação do Blog Negro Nicolau (BNN).
 



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