sexta-feira, 1 de junho de 2018

Falta de combustível no único posto de Altaneira e a “política malandra” de revendedores

Único posto de combustível de Altaneira completa seis dias com estoque zerado. (Foto: João Alves).

A paralisação dos caminhoneiros parece que chegou ao fim. Não sem o Temer, presidente ilegítimo do pais, usar do que ele tem de melhor. Ora usou a força quando baixou decreto autorizativo de forças armadas para atuarem contra as manifestações e desobstruir as estradas, fato que não surtiu o efeito esperado. Tanto que os manifestantes continuaram por mais uns dias na luta.

Ora usou a tática que mais tem lhe marcado desde que usurpou o poder mediante um golpe jurídico-parlamentar-midiático. Retirou dos cofres público e de áreas essenciais (não que a econômica não seja) para baratear o diesel para os caminhoneiros. Isso, repito, não é algo novo. A sua permanência no poder, mesmo rodeado de denúncias graves, é prova disso. Parlamentares garantiram e estão garantido sua estada no palácio do planalto.

O preço do diesel baixou. Isso foi fruto da greve dos caminhoneiros. A gasolina e o gás de cozinha não. Mas para baixar o diesel, Temer teve que encontrar alternativas para compensar essa retirada. Educação e Saúde foram as duas áreas (não se pode esquecer da PEC do Teto que limitou investimentos em várias áreas, inclusive nestas) escolhidas. Consta que irão ser retirados montante equivalente a R$ 200 milhões de universidades (já sucateadas) e do Sistema Único de Saúde - SUS (já a beira da falência).

Essa é a política do (des)governo Temer. Corta em Saúde e em Educação, mas se recusa a enfrentar o problema como se deve. Não rompeu com a prática e os interesses financeiros daqueles que estão à frente da Petrobras.

Mas a paralisação revelou um outro lado. Enquanto caminhoneiros/as estavam em ato para que o diesel fosse barateado, o preço da gasolina continuava nas alturas. O preço do gás de cozinha continuava a um preço exorbitante para os padrões de vida do brasileiro. Muitos, inclusive, e testemunhei caso em Altaneira, tiveram que voltar a cozinhar unicamente a carvão porque o botijão não mais cabia no orçamento.

Enquanto a maioria dos altaneirenses tinham que optar por comprar o botijão ou a alimentação, proprietários e proprietárias de veículos pareciam não entender o quão grave era a situação ou se entendiam ignorava. Filas e mais filas no único posto de combustível do município para abastecer, não importando o preço. Há relatos de que o preço do litro da gasolina chegou a quase R$ 5,00.

O importante era abastecer. O preço era secundário. A procura foi intensa por dois dias seguidos e no último sábado, 26, o estoque zerou. Já são seis dias que não há combustível no posto, fazendo com que as pessoas se desloquem até Nova Olinda quando há informações de que lá tem gasolina.

O importante era abastecer. O preço era secundário. Vale repetir. Essa política da oferta e da procura parece que caiu como uma luva e o jeitinho malandro emergiu com toda força em Altaneira das “desgraças” alheia. Sem gasolina nos postos e precisando abastecer seu veículo, proprietários/as se veem obrigados a abastecer pelo preço de revendedores/as. Algumas pessoas chegaram a mencionar que quem conseguiu comprar combustível em excesso está revendendo a preço de R$ 10,00 e até de R$ 12,00.

O brasileiro e em especial o altaneirense conseguiu se superar e demonstrou que a solidariedade e o sentimento de classe inexistiram com a greve e conseguiu nesses dias comprar todo o estoque de um produto por um preço mais caro da história. Não contente, ainda compraram de revendedores por preços mais caros ainda. O único sentimento que se percebeu foi o da ganância, do eu sozinho. Talvez um "malandro é malandro e mané é mané", como bem cantou o Bezerra da Silva sirva para o momento.

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