sábado, 5 de maio de 2018

Trier, onde Marx nasceu há 200 anos, inaugura estátua de filósofo


Marx passou os primeiros 17 anos de sua vida em Trier, no extremo oeste da Alemanha.
(Foto: Picture-alliance/Ap Photo/ M. Probst).


Acompanhada de faixas com dizeres que iam de "abaixo o capitalismo" a "pai de todos os ditadores", a cidade de Trier, na Alemanha, inaugurou uma polêmica estátua do filósofo Karl Marx neste sábado 5, exatos 200 anos depois do seu nascimento.

A escultura de bronze, que tem 5,50 metros de altura, incluindo o pedestal, e pesa mais 2,3 toneladas, é um presente da China para marcar o bicentenário do principal teórico do comunismo. A estátua retrata um Marx pensativo, com um livro numa das mãos.

Enquanto alguns veem o monumento como um reconhecimento justo ao filho mais famoso de Trier, outros argumentam que aceitar um presente da China não é compatível com a crítica às violações dos direitos humanos no país.

Marx passou os primeiros 17 anos de sua vida em Trier, uma pequena cidade às margens do rio Mosela, no extremo oeste da Alemanha.

Segundo a polícia, cerca de três mil pessoas acompanharam a cerimônia de inauguração do monumento, de autoria do escultor chinês Wu Weishan.

Cerca de 70 pessoas participaram de uma marcha silenciosa de protesto contra a estátua, promovida pelo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), enquanto uma manifestação de adversários da AfD reuniu 150 militantes. Outras 300 pessoas se uniram a um ato a favor da estátua.

Muitos veem a divisão da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e a construção do Muro de Berlim como consequência das ideias do pensador alemão, mas o prefeito de Trier, Wolfram Leibe, avalia que as controvérsias históricas devem ser motivo de debate.

"Há dez anos, isso não teria sido possível. Tenho certeza de que Marx pode hoje ser visto num contexto histórico. O que os regimes fizeram com ele não é o que Marx queria", afirmou Leibe à emissora ARD. "Na Alemanha, temos essa situação, vez por outra, com personalidades difíceis e complexas da história – queremos escondê-las na floresta", disse o político. "Mas foi um ato consciente trazer Karl Marx para a cidade. Nós não precisamos escondê-lo."

A presidente do Partido Social-Democrata (SPD), Andrea Nahles, disse que as ideias de Marx continuam atuais. "Ninguém influenciou a social-democracia mais do que Marx", declarou. O SPD abandonou as ideias marxistas em 1959, mas elas estiveram na origem da fundação do partido, lembrou a líder social-democrata alemã.

A governadora da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, à qual Trier pertence, também participou da inauguração. "Sim, estamos do lado do filho da nossa cidade. E lidamos com Karl Marx de uma maneira construtiva e ativa", afirmou Dreyer. "Não se deve culpar Marx pelos horrores do século 20 e, da mesma forma, também não se deve santificá-lo", frisou a política. "Estamos felizes em receber este presente, este gesto de amizade."

No mesmo dia foi inaugurada uma nova exposição permanente no museu Casa de Karl Marx, intitulada De Trier para o mundo: Karl Marx, suas ideias e suas consequências. Além de um relógio de bolso do crítico do capitalismo, a exibição mostra pela primeira vez a cadeira em que o pensador teria morrido. (Com informações de CartaCapital).

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