quinta-feira, 12 de novembro de 2015

“Fazemos o que temos a fazer, a fim de fazer o que queremos fazer”, do filme o “Grande Desafio"


Existem certos tipos de filme que agradam muita gente. Entre eles, os que são baseados ou inspirados em fatos reais costumam fazer sucesso, principalmente, quando bem conduzidos e com um bom roteiro costurando a história que, claro, tem que ser boa para ser contada. Com um tema que remete para alguns bons títulos, como Encontrando Forrester, Escritores da Liberdade e até o clássico Ao Mestre, Com Carinho, O Grande Desafio entra para a galeria dos "filmes de vitória" com uma mensagem importante para o espectador além de um pouco de ensinamento sobre as relações humanas numa época influenciada pelo racismo.

A história se passa nos anos 30, no Texas, e acompanha a trajetória do professor Melvin Tolson (mais tarde, poeta na vida real) formando sua equipe de debatedores negros da pequena Universidade de Wiley, dispostos a enfrentar a tradicional e imbatível campeã da modalidade, frequentada por brancos. Embora a questão da cor da pele seja pungente, as palavras ganham mais força, mas uma cena simples vivida pelo professor e os alunos, como a do porco e seu proprietário, reflete claramente o horror da intolerância racial.

A equipe de Debates da Faculdade de Wiley se torna imbatível, Sendo convidada a debater com a Universidade de HAVARD (mencionada no filme), o debate que causou maior impacto foi o que teve como assunto: OS NEGROS FREQUENTAREM AS MESMAS UNIVERSIDADES QUE OS BRANCOS. Na época em que se passa o filme por volta de 1930 ocorria muito o linchamento de negros, o preconceito racial era muito grande.

O discurso de um garoto de 14 anos, James Farmer Jr, é um dos momentos mais emocionantes. Segue o discurso abaixo:


" Fazemos o que temos a fazer, a fim de fazer o que queremos fazer".

"No Texas, eles lincham os negros. Meus companheiros e eu vimos um homem amarrado pelo pescoço e incendiado, pendurado em uma árvore. Nós dirigimos através de um linchamento e ficamos abaixados no carro. Olhei para meus companheiros. Eu vi o medo em seus olhos e, pior, a vergonha. Qual foi o crime que este negro cometeu para ser enforcado sem julgamento em uma floresta escura, cheia de nevoeiro. Foi ele um ladrão? Seria ele um assassino? Ou apenas um negro? Foi ele um parceiro? Um pregador? Seus filhos esperavam por ele me casa? E quem somos nós para apenas estar lá e não fazer nada? Não importa o que ele fez, a multidão era o criminoso. Mas a lei não fez nada. Apenas deixou-nos com a pergunta: "Por quê?" Meu adversário não diz que nada que corrói o Estado de Direito pode ser moral. Mas não há Estado de Direito no sul dos EUA. Não quando aos negros são negados habitação, escolas e hospitais.Não quando estamos sendo linchados. Santo Agostinho disse: "Uma lei injusta não é uma lei para todos" O que significa que eu tenho direito, até mesmo o dever de resistir. Com a violência ou a desobediência civil. Você deve orar para que eu escolha a segunda."

Inspirado em fatos reais, O Grande Desafio tem bom roteiro, fotografia, trilha sonora e boa direção de Denzel Washington, que vive o personagem Tolson. Com elenco escorado em veteranos (Washington e Forest Whitaker), mas com boas atuações de novatos, o longa emociona e provoca a reflexão sob vários aspectos, fruto óbvio dos debates, principal matéria prima da trama. Uma curiosidade do filme, e não de sua história, é a coincidência do nome do ator Denzel Whitaker, misturando o nome dos dois conhecidos atores. O jovem, no caso, dá vida a James Farmer Jr., aluno do professor Tolson. Alguém já disse que certas coisas não devem ser escritas. Neste filme aprende-se que muitas precisam ser ditas.

Assista ao filme

           

Mais sobre o filme clique aqui. Se preferir acesse esse portal.

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