21 de abril de 2020

Grunec 20 anos e a luta negra por direitos e pelo bem viver


Grunec 20 anos. 


O ano era 2001. Um grupo constituído por cerca de cinco pessoas se reuniram depois de uma aula de natação na garagem da casa de uma delas e passaram a dialogar sobre as mazelas que afligem a sociedade brasileira e de forma mais especifica aqueles grupos que sempre foi e ainda está a margem – negros e negras.

Destes diálogos sobre desigualdades surgiu a ideia de transformar discursos individuais em ação coletiva e em luta organizada visando sobretudo promover a igualdade étnica/racial e a autoestima da população negra do cariri e difundor a consciência quanto a afrodescendência, o que caminha no sentido de valorizar a nossa história. Com esse ideal nascia o Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec) que oficialmente (com registro) está com 19 anos, mas de atuação já possui duas décadas.

O Grunec se constituiu ao longo desses 20 anos com um coletivo que escolheu o caminho da luta, da resistência e da persistência ao trabalhar de forma comunitária, saindo da zona de conforme e visitando as comunidades de base, as comunidades tradicionais, como indígenas e as os grupos remanescentes de quilombolas.

Enquanto entidade organizativa, de combate a toda forma de discriminação, preconceito e de racismo, tem atuado na proporção em que essas injustiças ocorrem. Como exemplo, seja tendo sua organização, colaboração ou idealização, pode-se citar a caminhada contra a intolerância religiosa realizada anualmente em Juazeiro do Norte, a Marcha das Mulheres Negras do Cariri que visa denunciar formas de discriminação, opressão e aniquilamento, além do Congresso Artefatos da Cultura Negra que em 2019 chegou a sua décima edição e que tem se consagrado como o maior evento de pesquisa sobre a população negra do país.

Nesta ambiência de atuação, não se pode esquecer também de um dos trabalhos mais colaborativos em que pese a educação voltada para as relações étnico-raciais, como Mapeamento das Comunidades Rurais Negras e Quilombolas do Cariri feito junto Cáritas Diocesana de Crato – CE em que foi lançada uma “Cartilha  Caminhos, Mapeamento das Comunidades Negras e Quilombolas do Cariri Cearense”. Este trabalho contou com a participação de cerca de 25 comunidades. Seis delas se autoreconheceram remanescentes de quilombolas. Note-se ainda que comunidades como  as de Arruda (Araripe), Sousa (Porteiras) e Serra dos Chagas (Salitre)  já conta com certificado de remanescentes de quilombolas adquirido junto da Fundação Cultural Palmares.

Outras atuações colocam este coletivo negro como protagonistas como a 1ª Audiência Pública Federal no ano de 2007 que visou discutir a implementação da Lei nº 10.639/03, reunindo representantes de 42 municípios da Região do Cariri, o 1º Seminário no Crato para discutir a Igualdade Racial em 2005 a realização anualmente da Semana da Consciência Negra.

O Grunec reúne sem seus quadros professores e professoras universitários/as, docentes da educação básica, estudantes, pesquisadores/as, líderes religiosos/as e ativistas sociais, dentre outros e continua firme e forte, principalmente agora em tempos de cortes de direitos, legitimação desenfreada do racismo, do machismo e de ofensas sem barreiras a comunidades LGBTs. Por isso, os lemas mais apregoados do grupo são “Aquilombar é Preciso” e “Pelo Bem Viver”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ao comentar, você exerce seu papel de cidadão e contribui de forma efetiva na sua autodefinição enquanto ser pensante. Agradecemos a sua participação. Forte Abraço!!!