sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Estudantes da Escola 18 de Dezembro participam de conversa com o professor Nicolau Neto

Professor Nicolau Neto em conversa com estudantes da
ETI 18 de Dezembro. (FOTO/Professora Josyanne Gomes).

Texto: Nicolau Neto

Estudantes que cursam o sétimo e o oitavo ano da Escola de Tempo Integral 18 de Dezembro, em Altaneira, no sul do Estado do Ceará, participaram na manhã desta sexta-feira, 08 de novembro, no auditório, de um momento de conversa com o professor e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC), Nicolau Neto.


O encontro foi pensado pelas professoras Josyanne Gomes e Macia Davis, vinculadas à instituição. A primeira ministra a disciplina de Educação Patrimonial e a segunda está atualmente na coordenação.

O tema central da conversa foi “Por uma Educação Antirracista” e Nicolau iniciou apresentando um conto africano “Todos dependem da boca”, uma lenda de Moçambique. A ideia é dialogar acerca da necessidade afirmar que cada um de nós, independentemente da cor, da religião ou da ausência desta e da orientação sexual, temos uma importância na sociedade e que não há justificativas para conceitos como “superioridade” e “inferioridade” quanto se trata de seres humanos.

Estudantes da ETI 18 de Dezembro participam de conversa com o professor
Nicolau Neto. (FOTO/Professora Josyanne Gomes).

Nicolau também afirmou que o nosso pais é um dos mais racistas do mundo e que isso é percebido em cada palavra, frase e que na grande maioria das vezes isso ocorre dentro dos ambientes escolares - espaços que possuem como principal característica a promoção da equidade étnico-racial. “Por isso que esse momento é importante e vocês enquanto estudantes precisam ser agentes multiplicadores dessa conversa”, disse o professor Nicolau.

No segundo momento, Nicolau conversou sobre autoafirmação e empoderamento. Para tanto, apresentou o livro “O Cabelo de Lelê” em formato de vídeo. A obra relata as dúvidas de uma garota (Lelê) com seu cabelo cheio de cachinhos e demonstra sua tristeza ao não saber lidar com eles. A garota vai em busca de respostas para suas indagações e encontra seus cabelos nos livros de história e, depois de um tempo, passa gosta do que vê, a aceitá-lo. A proposta era fazer com que a garotada entenda a importância de nos aceitarmos, se empoderando e lutando contra quem insista em continuar a perpetuar o preconceito, o racismo e a discriminação.

Por fim, o professor mencionou uma série de personalidade negras que estão ausentes dos livros de história e quando estão inclusos apresentam uma história distorcida ou simplista. Nomes como Abdias Nascimento, Beatriz Nascimento, Antonieta de Barros, Tereza de Benguela, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Luisa Mahin, Luiz Gama, Mestre Bimba, Oliveira Silveira, Tia Simoa, Francisco Jose do Nascimento (Dragão do Mar), dentre outros tiveram suas biografias apresentadas.

Segundo as professoras Josyanne e Macia David, as temáticas que versam sobre a história e cultura africana e afro-brasileira são trabalhadas durante todo o ano letivo e são intensificadas em novembro.

Em 2017 a Câmara de Altaneira aprovou uma lei que institui o 20 de novembro como dia de promoção de atividades relacionadas à causa negra. Pela lei 674, de 01 de fevereiro de 2017, a data fica incluída no Calendário Municipal de Eventos, sendo comemorada com atividades diversas relacionadas ao fortalecimento da consciência negra, promovidas principalmente, pelos setores de educação e cultura e estabelece ponto facultativo.

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