21 de setembro de 2019

A educação Popular não começa com Paulo Freire, diz Alex Ratts


Ironides Rodrigues ministra aula de alfabetização para jovens e adultos
 inscritos no Teatro Experimental do Negro. Rio de Janeiro, 1945.
(FOTO/Reprodução/Alex Ratts).

Texto | Nicolau Neto

No último dia 19 de setembro o Brasil relembrou o nascimento de Paulo Reglus Neves Freire. O pernambucano mais tarde se tornaria o educador mais conhecido e influente no mundo.


Por seus estudos, análises, obras escritas e publicadas, Paulo Freire influenciou o que o mundo passaria a conhecer como Pedagogia Crítica e acabou por ser denominado Patrono da Educação.

Uma das suas obras mais conhecidas é "Pedagogia do Oprimido" e concebeu a educação como libertadora. Ela, para ele, necessita ser libertadora para poder cumprir seu papel.  Assim, sua prática didática visava libertar o educando da chamada educação bancária e tecnicista. Por essa visão, o aluno seria liberto criando o caminho da sua aprendizagem. Freire se destacou na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política.

Freire passou a figurar, por tanto, nos meios acadêmicos como uma referência na área da educação popular. Por meio dela se valoriza os saberes prévios de cada comunidade e suas realidades socioculturais na construção de novos saberes.

Sem desconsiderar a importância de Freire, o professor Alex Ratts, da Universidade Federal de Goiás (UFG) discordou da tese de que a educação popular começou com o educador pernambucano.

A educação popular não começa com Paulo Freire nos anos 1960. Temos o Teatro Experimental do Negro e Ironides Rodrigues, nos anos 1940, dentre outrxs”, escreveu o doutor em antropologia pela Universidade de São Paulo (USP).

Paulo Freire e Abdias Nascimento. Guiné-Bissau, 1976.
(FOTO/Reprodução/Alex Ratts).

Para ilustrar seu pensamento, Ratts que é umas das referências no Brasil quando o assunto é população afro-descendente, compartilhou duas imagens. A primeira é o encontro de Paulo Freire e Abdias Nascimento no de 1976, em Guiné-Bissau e a segunda é de Ironides Rodrigues ministrando aula de alfabetização para jovens e adultos inscritos no Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro em 1945. Ratts também cita a obra   “Educação, instrução e alfabetização de adultos no Teatro Experimental do Negro. In: História da educação do negro no Brasil e outras histórias”, de Jeruse Romão.

Para conhecer um pouco de Abdias Nascimento clique aqui.

Aprofunde seus conhecimentos sobre o Teatro Experimental do Negro clique aqui.

A ativista do Grupo de Mulheres Negras do Cariri Pretas Simoa, Karla Alves, também lembrou de Antonieta de Barros que alfabetizou “crianças pobres e empregadas domésticas em 1922”.

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