domingo, 23 de junho de 2019

“Por que movimentos negros num pais onde toda a população é mestiça? ”, por Henrique Cunha Junior


Professor Henrique Cunha Júnior.
(FOTO/Reprodução/Facebook).
Pensar um movimento negro efetivo é pensar um movimento capaz de propor e executar planos que efetivamente melhore a s condições de vida da população negra. Um movimento proponha para a sociedade e para o estado ações que modifiquem as relações sociais, políticas,culturais e econômicas em favor da população negra. Coisas que vão muito alem das políticas de ações afirmativas que promoveu as cotas para negras nas universidades publicas brasileiras. 

Isto da proposição e da execução produz um impacto na sociedade e justifica a existência de movimentos negros e não apenas negros em movimento variados mas sem o foco especifico as necessidades e direitos da população negra. O que justifica a existências são as necessidades e os direitos existentes e não promovidos. Uma ação muito boa dos movimentos negros é no campo da saúde coletiva e do trabalho em torno da anemia falsiforme. O problema existe a sociedade e estado nada faziam, o movimento negro estudou o problema, formou quadros e indicou para o governo as ações a serem tomadas. Promoveu campanhas, lutou pelas leis, pleiteou programas de pesquisa e consegui alguma ação do estado neste sentido. O exame do pesinho na infância é um grande passo pois permite detectar o traço da anemia e promover a proteção adequada da saúde antes que pessoa sofra dos males. Por que de movimentos negros se no Brasil somos todos mestiços? Isto muitas pessoas me perguntam sinicamente sempre e a reposta é óbvia, para proteção dos direitos da população negra onde somos sempre roubados e postos em destavatagens sociais. No entanto não adianta um combate ao racismo apenas no plano moral e ético, apenas com boa vontade e apelando para o lógica das boas intenções como tem sido feito, tentando desfazer o preconceitos como se fosse somente um problema de preconceitos. O racismo é estrutural, faz parte da formação histórica, esta presente na distribuição de terras, nas desigualdades urbanas, na composição da câmara e do senado, mas hierarquias religiosas e civis, perpassa todas as instituições brasileiras.

No entanto um movimento para ser efetivo ele deve ter compreensão e propostas em todos os setores da vida da população. Sobre economia, produção, distribuição e consumo da população negra o movimento negro brasileiro é fraco em formulações e mais ainda em ações. Não adianta muito propor o combate ao racismo estrutural sem a compreensão mínima de como funciona os diversos setores que afetam a vida da população, como a economia, pois dela resulta o trabalho, os empregos, os serviços, os preços dos produtos e serviços e mais ainda o acesso aos produtos e serviços na sociedade. Os movimentos negros necessitam fazer uma pauta nacional de ações em todos os campos da vida econômica, social, política e cultural brasileira e negociar com a sociedade esta pauta. Principalmente com os partidos políticos que mantém no seu interior as estruturas racistas antinegro. Basta ver a composição dos diretórios nacionais dos partidos, onde as decisão são tomadas sobre a política dos partidos, quais causas vão defender e mais ainda que serão os candidatos nas eleições.

Na democracia não basta votar para termos o ato democrático, precisa ter as necessidades representadas, os atores da política serem de todos os estratos e grupos sociais, o que não acontece na política brasileira e nenhum partido, a representação e a representatividade das causas da população negra. A democracia brasileira é muito frágil devido não representar a população brasileira que em sua maioria é negra.

A mudança no Plano Político deveria ser de apoiarmos partidos que apresentem uma pauta especifica de ações sobre a população negra e numero de candidatas negras a todos os cargos eletivos. Como também o compromisso de formação dos governos, seja ele municipal, estadual ou federal com uma proporção de negras. Os conselhos de estado deveriam ter como regra na sua composição 50% no mínimo de população negra. Vejam exemplo o Conselho Nacional de Educação, tido como democrata e tendo apenas um representante da população negra , apenas um em 24 membros. Parece uma piada trágica e mau gosto falar em democracia nestes termos.

Porque de movimentos negros num pais onde toda a população é mestiças, é porque as contas bancarias e os políticos são todos brancos e as suas contas não são mestiças.
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Henrique Cunha Junior é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui mestrado em Dea de Historia - Université de Nancy- França (1981) e Doutorado Em Engenharia Elétrica pelo Instituto Politécnico de Lorraine (1983) e orienta doutoramentos e mestrados em Educação com temas relacionados a história e cultura africana, espaço urbano, bairros negros.

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