quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Casamento de Samuel e Lídia é o segundo do cariri na religião do candomblé



Cerimônia religiosa marca segundo casamento no candomblé, que se tem notícia na região do Cariri (Foto Divulgação)

Uma cerimônia cheia de emoção, beleza e espiritualidade afro, marcou mais um casamento no candomblé que se tem notícia no Cariri. Os noivos TATA MUTARUESI E MAMETU NDAMEREUÁ (nomes que Samuel Esmeraldo e Lídia Sousa receberam no batismo da religião), selaram a união em um ritual todo cantando em kimbundo e kikongo (línguas bantas) puxado com cânticos, ao som de atabaques, acompanhado pelas vozes dos filhos-de-santo do terreiro.

Essa é a segunda vez que o ato é realizado na região, visto que muitos casamentos não são divulgados, e a primeira que aconteceu no candomblé de Angola. A celebração ocorreu no Terreiro de Candomblé de Nação Angola Nzo Ngana Nzazi-Raiz Muxitu, no Bairro Limoeiro, em Juazeiro do Norte e teve como celebrante, Tata Mufumbi Kitambo do Terreiro Ndunda Ria Muxitu, Rio de Janeiro.

A celebração contou com a presença de diversos sacerdotes de umbanda e candomblé, filhos-de-santo de outros terreiros, amigos dos noivos dentre esses católicos, evangélicos, espíritas, pessoas sem religião e ateus.

A CELEBRAÇÃO

Várias divindades da religião são louvadas durante a cerimônia. O Tata Kisaba, quer dizer pai das folhas, sacerdote que encanta e conhece os segredos das folhas sagradas.  Ele entra louvando as folhas sagradas, fazendo o tapete de folhas, abrindo espaço para entrada das mães dos noivos, padrinhos, noivo e a noiva que vem acompanhada de crianças com alianças e flores.

A pedido do celebrante, as luzes do local são apagadas fazendo referência ao lado difícil do relacionamento, onde os dois terão que enfrentar na vida muitos obstáculos trevosos. O muílo (energia da luz e o sol) é louvado e o celebrante pede que os noivos acendam o fogo do amor, representado por uma panela dourada com alguns elementos para queimar.

COMUNGAÇÃO

O ritual conta ainda com uma defumação (kufumala) que é feita para encantar e purificar o caminho dos dois; as alianças; amarração com o cordão sagrado; comungação do kesu (fruto africano; noz-de-kola) que é o símbolo da vida, um dos vegetais mais importante para o candomblé, são indispensáveis no rito.

Em meio a conselhos, cânticos ao sagrado que celebram a vida, é solto um casal de pombo simbolizando a paz para o casal e um pedido para que eles espalhem harmonia para todos. No centro do terreiro, os noivos e todos envolvidos cantam e dançam pedindo coisas boas e abençoando os recém-casados.

A cerimônia foi registrada no livro de atas de cerimônias religiosas do Terreiro Ndunda ria Muxitu e o texto foi lido ao público, onde consta assinaturas dos noivos, padrinhos e todos os sacerdotes presentes como testemunhas.

A pós a cerimônia religiosa como em outras religiões, aconteceu uma recepção aos convidados e familiares. O momento ocorreu em uma chácara no bairro Tiradentes, onde houve músicas de estilos variados e buffet. (Com informações do Papo Reto Cariri).

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