sábado, 7 de abril de 2018

Lula deixa sindicato a pé e se entrega à PF




Após intensa resistência dos apoiadores que desde a noite da quinta-feira 5 cercam a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, Lula saiu a pé do prédio rumo a uma viatura da Polícia Federal estacionada nas imediações.

Em meio a grande confusão, ele entrou em uma porta da gráfica do sindicato e se apresentou à PF. O ex-presidente negociou até o último minuto para impedir um confronto entre os militantes e a Polícia Militar, que estava no local.

O comboio de veículos, que não estavam caraterizados como viaturas tradicionais da PF, chegou à Superintendência da corporação em São Paulo, no bairro da Lapa. No local, manifestantes contrários e favoráveis ao ex-presidente aguardavam a chegada das viaturas.

Lula fez o exame de corpo de delito na sede da PF em São Paulo e segue de helicóptero neste momento ao aeroporto de Congonhas, onde um avião da Força Aérea Brasileira aguarda no local para levá-lo à Curitiba. Não se sabe, porém, se a viagem ocorrerá mesmo hoje.

Há um grupo de manifestantes no aeroporto. Há 14 viaturas da Força Tática da PM pouco atrás de onde a militância se reúne.

O petista tentara deixar o local e cumprir o acordo com a PF por volta das quatro da tarde, de carro, mas foi impedido por uma multidão. O portão do sindicato chegou a ser arrancado pelos militantes e o ex-presidente viu-se obrigado a sair do automóvel, no qual estava acompanhado do advogado Cristiano Zanin, e retorna ao prédio. Uma nova negociação teve início, ante a ameaça da chegada da PM.

Um pouco antes das seis da tarde, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, procurava acalmar a militância enfurecida, que, além de impedir a saída de Lula, gritava palavras de ordem e ameaçava jornalistas escalados para a cobertura. "A coisa que eu mais queria era fechar esse sindicato e resistir, era enfrentar a polícia", discursou a senadora. "Mas o Lula decidiu se entregar e a escolha dele precisa ser respeitada. A consequência é a polícia vir aqui dar porrada na gente. A polícia deu meia hora para a gente resolver. Quem vai sofrer as consequências não somos nós, mas o Lula".

Aos apelos de Hoffmann, a multidão respondia: "Não tem arrego". Ao anúncio da iminente chegada da tropa de choque da PM, retrucavam: "Deixa vir".

Segundo Marco Aurélio de Carvalho, advogado do Movimento de Juristas pela Democracia, caso a PM viesse a agir, seria de maneira ilegal: "O presidente Lula entrou em contato com as autoridades e está negociando, mas não tem controle sobre este movimento. Não há resistência por parte dele".

A negociação com a PF previa que o ex-presidente deixasse o Sindicato dos Metalúrgicos após a missa em homenagem ao aniversário de sua mulher, Marisa Letícia, falecida em fevereiro de 2017. Ela completaria 68 anos neste sábado 7.

A cerimônia foi longa e terminou de maneira emblemática, com Lula nos braços da multidão após um discurso no qual fez questão de demonstrar firmeza e confiança.

"Eu vou enfrentá-los no olho por olho. Quanto mais dias eles me prenderem, mais Lulas vão nascer nesse país. Se dependesse da minha vontade, não iria, mas eu vou. Eu não estou escondido e vou lá nas barbas deles, para que eles saibam que eu não tenho medo", declarou.

O ex-presidente agradeceu a cada um dos parlamentares, sindicalistas e manifestantes que lhe deram apoio e atacou o Ministério Público Federal, o juiz Sérgio Moro e principalmente a mídia, em especial a Rede Globo. "O sonho de consumo deles é a fotografia do Lula preso. Eu fico imaginando o tesão da Veja, da Globo. Eles vão ter orgasmos múltiplos."

Após o discurso do ex-presidente, os militantes passaram a se aglomerar em frente aos portões de saída do Sindicato dos Metalúrgicos. A militância ocupou a parte interna da garagem, entre o portão e o pano amarelo que impede de ver o interior. Os manifestantes passaram a cerca todo o perímetro do sindicato.

O temor dos advogados e de auxiliares próximos é de que a demora em se entregar à PF leve o juiz Sergio Moro a decretar a prisão preventiva, o que elimina qualquer outro chance de impetrar um habeas corpus, embora as frustrantes incursões no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal indiquem que a única esperança de Lula resida no julgamento das ações declaratórias de constitucionalidade que questionam a autorização de prisão a partir de decisão da segunda instância pelo plenário do STF.

Há uma disposição dos movimentos sociais e da militância de não deixar transparecer que a prisão do ex-presidente será aceita pacificamente. A Central Única dos Trabalhadores anunciou uma vigília permanente em frente à sede da Polícia Federal do Paraná e atos Brasil afora. O deputado federal Paulo Teixeira declarou: "O Brasil desse dia de hoje para frente mudou. O presidente Lula nos pertence e nós vamos parar o País a partir de amanhã". (Com informações de CartaCapital).

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