14 janeiro 2017

Desabafo Étnico Racial


Por muito tempo recusei a escrever sobre. Mas cheguei ao meu limite. O Blog Negro Nicolau é um portal de comunicação que visa contribuir a partir das minhas ações de sentimento de pertencimento (enquanto administrador e editor) para que outras pessoas se sintam representadas e empoderad@s por negr@s e negros e possam ainda se sentiram como tal, lutando para superar e eliminar um dos maiores canceres do Brasil – o preconceito e o racismo.

O fato é que meu blog sem se apegar ao modismo dos veículos de comunicação hospedados na internet e sem aderir ao elitismo barato e ao sensacionalismo, está desses cinco anos de atuação constante na rede mundial de computadores sempre A SERVIÇO DA CIDADANIA e, para tanto, sempre busquei oportunizar os menos favorecidos, os que por algum motivo não tenham voz através da comunicação. Esta (Comunicação) que mesmo considerando uma das principais armas contra a homofobia, misoginia, racismo, conservadorismo, elitismo, enfim... contra as mais diversas formas que corroborem para perpetuar as desigualdades associadas a etnia e a raça ainda não conseguiu romper as barreiras do colonialismo e, portanto, da segregação racial.

Sempre que escrevo algo que diz respeito a ações e atitudes que desnuda essa sociedade preconceituosa mando por correio eletrônico e via facebook e outras formas de contato para os principais sites e “jornalistas” do estado do Ceará para que reproduzam, pois entendo que ao proceder dessa maneira estou oportunizando as pessoas que não me seguem nas redes sociais ou não tenham conhecimento do meu blog conhecerem os textos e opinarem. Mas como disse no parágrafo anterior, a grande maioria da imprensa brasileira e, de forma particular a cearense, ainda não rompeu com o colonialismo e continua nas suas escritas segregando mais, promovendo cada vez mais um dos maiores cânceres sociais – o racismo.
Nenhuma das matérias que escrevi sobre assuntos relacionados à diversidade étnico-racial foi reproduzida nos sites do Estado do Ceará. A resposta que sempre recebo não muda. “Há outras matérias em pauta”. “Iremos enviar para nossa equipe de redação”. Mas publicação que é bom.....

A grande maioria dos sites e dos jornalistas estão buscando audiência. Matérias desse porte não corroboram para tal. Mas por traz dessa busca desenfreada pela audiência há um mecanismo que exclui e que reforça não só o racismo, mas outras formas de discriminação.

E é exatamente por pensar assim que além das minhas lutas diárias em vários espaços de poder, seja na escola ou na rádio, resolvi há cinco anos colocar esse portal como mais uma das ferramentas nessa luta de classe onde estou do lado dos oprimidos na busca permanente por fazer com que cada vez mais pessoas se sintam parte e se sintam principalmente empoderados/@s.


Ainda neste post, quero agradecer a equipe do site Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (CEERT) e do site Geledés - Instituto da Mulher Negra, pois são referência para mim e estão sempre reproduzindo meus textos.

Este blogueiro por ocasião da formação da Crede 18, em Crato. Foto: Profª Lucélia Muniz.

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