01 setembro 2016

“Vontades falhadas de mudanças”, por Leila Magnólia*


Eu tinha uma comunidade, no antigo Orkut, sobre vontades falhadas de mudança. Não me lembro mais o nome e nem a descrição, mas era sobre a pessoa, de repente, sentir uma necessidade avassaladora de mudança e acabar apenas alterando o perfil do Orkut. Eu mesma fiz isso várias vezes, e continuo fazendo, só que em redes sociais diferentes agora. É claro que não é essa a mudança de que a gente precisa, mas essas atualizações saciam um pouco o desejo por uma nova conduta. Dá pra entender, já que essas ferramentas virtuais são importantes a ponto de que, quando você muda seu perfil nelas, acaba dizendo a todos os outros navegantes que você mudou. A gente acaba se acomodando e fica tudo como está, sem que a mudança real aconteça. Todo mundo se acostumou a se apregoar no Facebook como a pessoa que não é, o que acaba afastando quem somos de verdade do que aparentamos ser. Afinal, se você pode dizer aos seus dois mil amigos (desconhecidos) que é "outra pessoa", que necessidade você tem de ser, de verdade, essa outra pessoa? Ninguém vai saber que você ainda não é, talvez nunca chegue a ser. É difícil ser essa outra pessoa. Não é que seja impossível, mas não vai acontecer de uma hora pra outra e a transição vai doer a ponto de você deitar no chão e espernear de dor. A "outra pessoa" nasce de frustrações, das pequenas tragédias diárias, do trauma de ver situações e pessoas sendo tão diferentes (pra pior) do que a gente gostaria que fossem, de todas as humilhações que nunca superamos, da saudade do que nunca foi, dos desejos que doem porque nunca sabemos se serão realidade.

Por isso, antes de criar uma imagem de alguém que você não é, tente começar pelo mais difícil: seja mesmo essa pessoa. É em nós que a mudança deve principiar, e ela não deve acontecer para que outras pessoas vejam. Deve acontecer, sim, mas pra deixar a gente melhor. Porque a vida já é tão curta e tão cheia de preciosidades que a gente não enxerga. Não enxerga porque é melhor ficar na internet, buscando uma popularidade sem méritos; se achando gostosa por receber comentários vulgares; se achando pegador porque faz esses comentários; medindo amor com falsas declarações; medindo amigos com solicitações para seguir, medindo a própria vida com likes. E as pessoas e seus relacionamentos a cada dia valendo menos.

Acho que não era bem esse o objetivo. Mas é só a minha opinião.


*Leila é universitária e estuda medicina veterinária no Instituto Federal da Paraíba - IFPB

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