11 agosto 2016

Aos/as estudantes, uma reflexão



Meus queridos e minhas queridas alunas ao qual tive a oportunidade de dialogar e debater em sala de aula. Aqui não é discurso vazio, pois sabem o quanto primo pela constância e não os percebo apenas em datas esporádicas, mas como sujeitos ativos e com poder de transformação todos os dias. Mas quero nesse dia dedicado exclusivamente a vocês chamá-los a refletir comigo.

A escola é o espaço onde os estudantes passam a conviver com outros sujeitos que, assim como eles, possuem necessidades e desejos. Essas na grande maioria das vezes são conflitantes, o que requer da instituição de ensino principalmente daqueles que estão em contato direto com eles a capacidade de educar para os valores. Deve, portanto, suscitar neles/as o prazer pelo respeito ao outro; a alegria em ser solidário/a; Devem ainda incitá-los a sempre amar, independentemente dos outros possuírem ou não crenças religiosas, pertencerem ou não ao mesmo grupo político, independentemente de raça/etnia, torcerem ou não pelo mesmo clube, terem ou não a mesma orientação sexual, dentre outras... Afinal, como afirmava Rubem Alves “os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos." É necessário saber interpretar o que querem os estudantes, se não a educação se torna o mais do mesmo.

Os estudantes precisam ter seus direitos garantidos. Não apenas de acesso à escola, mas de permanecer nela. E quando falo em permanência, não é só de uma boa estrutura, mas de ações e projetos que possam fazer com que eles/as se sintam bem no ambiente escolar, se sintam protegidos. Alunos necessitam muito mais do que simplesmente um conglomerado de matérias. O estudo precisa ser prazeroso, não uma obrigação. A escola não deve ser um refúgio simplesmente do trabalho infantil (mas também); não deve ser tão somente um esconderijo do mundo das drogas (mas também). Tão pouco deve ser visto com uma gaiola, mas asas, me reportando mais uma vez ao Rubem Alves.

Nesse sentido, a escola precisa estar conectada com o que ocorre lá fora. Não pode o mundo está em ebulição, com riscos sérios de se voltar a tempos passados onde não se tinha liberdade e fingir que está tudo bem, fazendo com que o aluno também acredite nisso. Não, não pode. Embora aconteça. Não que a educação seja a salvadora do mundo, mas Paulo Freire dizia "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. O calar do professor diante das injustiças, pode acarretar sérios danos ao aluno que vai apenas passar pela educação achando que tudo que ocorre é natural e que não pode ser mudado. Freire em suas sábias palavras chamava a atenção “não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”.

Portanto, meus queridos alunos e queridas alunas, que vocês possam usar esse dia como mais um para cobrar uma educação libertadora, cidadã e politizada, que os ensine a pensar e não a obedecer. Afinal de contas, a maior alegria de um professor e de uma professora é poder perceber em vocês verdadeiros agentes de transformação da realidade.

Um forte e fraterno abraço!!!

Registro fotográfico dos alunos do curso técnico em Redes de Computadores (3º A) em homenagem a este signatário. Foto: Jenfte Alencar.



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