22 agosto 2016

A olimpíada acabou, os problemas voltaram

A imprensa brasileira, principalmente a televisiva é de chorar e rir ao mesmo tempo. Ela percebe seus telespectadores e telespectadoras como marionetes, incapazes de ver, interpretar e ter um olhar crítico sobre fatos e opiniões acerca do que se passa a sua volta. Muitos desses fatos e opiniões por ela – mídia – formulados.

O Brasil passa por uma avalanche de problemas – muitos, repito, por ela mesmo divulgados e até criados para atender e ganhar uns potinhos a mais na audiência – como, crise econômica, crise política, crise social e, as mais em evidências, porém nunca divulgadas, crise de ética, crise moral ou, simplesmente, crise de valores. Mas, como que de repente, não mais que de repente, todos esses problemas acabaram.

Em nome de quem? Para atender a quem? Com qual interesse? São tantas perguntas... Mas, vou me contentar em ficar com esses três questionamentos. São suficientes por ora. O Brasil precisa se mostrar ao mundo. E para isso, não é bom que o mundo conheça um país à beira de um colapso. Não é animador para os holofotes mundiais perceberem que os brasileiros e brasileiras estão sofrendo pela terceira vez uma ditadura. A primeira foi com o Estado Novo em 1937 sob o comando de Getúlio Vargas e a segunda – mais longa – entre os anos de 1964 e 1985 tendo como comandantes os militares.

Mas porque tudo isso? Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro chegaram e com ele uma infinidade de narrativas. Menos os problemas que relatei acima. Eles não aparecerem na Globo, na Band, na Record, no SBT, na Rede TV.... Não, não aparecerem. O que vimos foi uma infinidade de jogos e mais jogos. Competições e mais competições. Medalhas e mais medalhas.

As do Brasil bem menos. Poderia ter sido mais se investimentos em outros esportes e outras atletas fossem dados. O futebol feminino é um triste exemplo. Mas, deixe-me retomar o foco da questão.

Quem viu e ouvi falar durante as olimpíadas sobre a chikungunya? Sobre os altos índices de desemprego que continua a crescer em ritmo avassalador, pelo menos no ritmo e na intensidade que vinha sendo propagado no início do ano? O processo de afastamento da presidenta que todos os dias e o dia todo se ouvia e via falar? Quem viu essa informação com a intensidade de meses atrás? Não amigos. De forma nenhuma amigas. Essas informações, pelo menos durante esses últimos 17 dias de jogos olímpicos, não era interessante veicular. Nem pela mídia conservadora, tão pouco para o grupo político que ora administra o Brasil. Esses dois que arrancaram dos brasileiros o direito de escolha, o poder de decisão.

O problema maior é que grande parte dos brasileiros acabaram por comprar esses discursos. Não só isso. Revenderam ao compartilhar imagens e textos sem que se fizesse o devido questionamentos. Outros se mantiveram e se mantém inerte ante aos fatos.

Felizmente, um grupo de pessoas – em menor quantidade é verdade, souberam fazer as devidas correções. Não compraram essa narrativa enfadonha que envergonha aqueles e aquelas que possuem rigor crítico. Não foram convencidos por essa mídia que não informa, mas desinforma, aliena.

Os jogos acabaram e o que se verá? A volta daqueles problemas relatados acima. Menos, repito, a crise de valores. Todos eles tendo como único culpado um partido e uma pessoa. A semana toda será dedicada ao processo de afastamento da presidenta e com a construção de uma narrativa que fortalece o golpe. Assistam e tire suas conclusões. 

Imagem puramente ilustrativa (nem tanto assim). Divulgação.

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