21 abril 2016

Conheça o Grupo de Valorização Negra do Cariri – GRUNEC


Por Jack Correia, no Overmundo

Respeito e cidadania no Brasil, e porque não dizer, no mundo, são agora sinônimos de luta. A luta por consciência, igualdade e dignidade hoje é fundamental para garantir uma sociedade civil justa e democrática amanhã, pois, uma transformação só é possível quando não somos inertes aos acontecimentos em nossa volta.

É preciso “arregaçar as mangas” para buscar essa mudança necessária e para enfrentar com dignidade as dificuldades que surgem! Uma política linear, capaz de construir uma sociedade equilibrada, onde as diferenças naturais, como as características físicas, também não sejam motivos capazes de gerar conflitos. É preciso criar forças... A união de um grupo formado por pessoas que tenham um mesmo propósito, que “plantem juntos a mesma semente que germinará” no dia seguinte, gerando os “bons frutos” tão desejados.


Assim é o Grupo de Valorização Negra do Cariri – GRUNEC, entidade sem fins lucrativos, formado em Crato-CE no ano de 2001 com o objetivo primordial de promover a igualdade étnica/racial e a auto-estima da população de cor negra na Região Caririense, além de propagar a consciência sobre nossa afrodescendência, valorizando a nossa história e cultura. Ele conta com o apoio de entidades governamentais e não governamentais, profissionais liberais, autoridades religiosas, empresários e de qualquer pessoa da própria população que pretenda se engajar num propósito político-social consistente.



O GRUNEC foi idealizado de uma forma inusitada. Depois de uma aula de natação, 5 pessoas que conversavam sempre sobre injustiças sociais resolveram criar algo maior e sair dos meros discursos individuais. Depois de uma reunião na garagem da casa de um deles, surge o GRUNEC, que agora com 7 anos de formação, já conta com o apoio de cerca de mais de 30 indivíduos qualificados para capacitações pedagógicas e para diversos eventos como seminários, oficinas e reuniões, sempre com embasamentos técnicos, legais e jurídicos de tudo o que diz respeito às questões políticas e sociais no País. Dentre eles, alguns nomes: Verônica, Valéria, Adriano, Antônia, Eliane, Reginaldo, Ridalvo, Ronald, João, Josefa, Prof. Mota, Cícero, Diego, Cleone e muitos outros...

Todas as pessoas do Grupo, acima de tudo, têm comprometimento. Elas não “levantam a bandeira” por simples paixão momentânea ou “modismos de causas”, não estão na “estrada” vinculadas a nenhum partido político ou outra classe qualquer. A questão é consciência e vontade! A vontade, sem comodismo, de ver um verdadeiro Estado Democrático.

A Implantação das Idéias

O GRUNEC trabalha com diversas metodologias, especialmente no ensino profissionalizante e no desenvolvimento de atividades artísticas, fertilizando um terreno para aflorar a auto-estima do povo de pele negra no Cariri que se encontra em exclusão social, promovendo encenações de danças, desfiles, músicas e outras manifestações ligadas à arte. Atua de forma efetiva na Semana da Consciência Negra e em ações realizadas junto às Secretarias Municipal e Estadual de Educação para garantir o cumprimento das normas reguladoras como um dos patamares que levarão a uma conscientização mais sólida sobre nossa afrodescendência, levando até mesmo a um contexto nacional.

Esse trabalho, não é feito apenas em auditórios universitários ou escolares, nem tão somente nas salas de aula. Ele não se dá unicamente de forma teórica onde alguns dos integrantes do Grupo pegam um microfone e fazem explanações científicas sobre o assunto com seus notáveis dons de oratória. Ele é feito essencialmente junto às comunidades pobres da região, onde a população de cor negra atinge índice mais elevado e onde a marginalização, e tudo o que ela gera, estão concentrados em um percentual preocupante.

A trajetória na causa já traz um relevante histórico. O GRUNEC: promoveu a 1ª Audiência Pública Federal no ano de 2007, para discutir a implementação da Lei nº 10.639/03 conseguindo reunir representantes de 42 municípios da Região do Cariri; em 2005 realizou o 1º Seminário no Crato para discutir a Igualdade Racial; é responsável pela Semana da Consciência Negra todos os anos, desde sua formação em 2001; efetiva cursos para geração de emprego e renda; junto ao governo municipal do Crato articulou a sua adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, coordenado pela SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial) como forma de afirmar o compromisso do município cratense no combate ao racismo e de garantir à população o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas para promoção da igualdade; desempenha um excepcional trabalho junto às mulheres do Alto da Penha, que é um dos bairros mais pobres da cidade, etc., etc., etc.,

Um trabalho social moldado em conscientização política, obviamente, deve ter como principal caminho o contato direto com a comunidade, porque, é neste contato que está toda a essência do resultado. Ele é o principal desafio, porque é no calor humano que as coisas acontecem, e, para melhor! É olhando nos olhos das pessoas de cor negra, marginalizadas, que a transformação tão almejada pelo GRUNEC tem o seu início. Simplesmente olhar e enxergar aquelas pessoas e plantando nelas, aquela, semente de mudança começando a germinar com frases simples como “hei, se olhe... sua cor é linda!”, que, a princípio, podem até parecer piegas para alguns, mas com certeza, fazem uma considerável diferença.

Outro grande desafio é trazer à discussão aqueles inclusos nas classes privilegiadas da população, muitos deles com pele branca, alheios até mesmo aos significados dos termos afrodescendência e inclusão social, e que não se sentem parte integrante de todo esse seguimento e metamorfose que a sociedade necessita de um modo geral. Como maneira de se chegar a eles, os meios de comunicação também são usados, até para debater acerca das Normas Reguladoras pertinentes, dos princípios básicos dos Direitos Humanos, etc., o que, evidentemente, somente isso não é o suficiente, porque, respeito, como pilar dessa sociedade idealizada, não deve vir através, simplesmente, de uma imposição legal.

O respeito no seu mais amplo significado, deve vir naturalmente, de dentro de cada um, de uma consciência moral e por valorização das nossas raízes e conservação do nosso patrimônio histórico e cultural, deixando-as vivas para as próximas gerações.

As palavras podem ter um papel fundamental nesses processos revolucionários de transformações sociais e políticas, mas elas não são nada se não vêm integradas com as ações. Assim pensa e age o GRUNEC em toda a sua busca.

O GRUNEC segue na sua caminhada... Com “idas e vindas”, cujos obstáculos mais parecem “muros de Berlim”... Mas seguindo adiante, se aliando a outros grupos que têm propósitos de transformações sociais também como meta... De mãos dadas, olhando pra frente e sonhando juntos, para que esse sonho vire realidade num futuro próximo, como diria Carlos Drumont de Andrade.

Contato com o GRUNEC: grunec_cariri@yahoo.com.br

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