31 março 2016

Professor de filosofia descobre em sala de aula como a mídia desinforma



Ontem num debate sobre ética em uma aula minha percebi o resultado da estratégia da manipulação midiática.

Todos os meus alunos achavam que o processo de impeachment contra a Dilma (golpe) era por causa da Lava Jato.


Quando comecei a explicar que a tese do impeachment (golpe) era de que a presidenta usou dinheiro da Caixa Econômica Federal para manter os programas sociais eles ficaram perplexos.

— Mas professor, ela não roubou?

— Não, não é acusada de ter roubado um único centavo. A única coisa que fez foi colocar dinheiro público de um banco estatal em programas sociais, e depois, devolver esse dinheiro à Caixa.

Isso foi suficiente para passarem a se posicionar contra o impeachment e se sentirem enganados pelos meios de comunicação que misturam uma coisa com a outra o tempo todo.

Agora pergunto: isso é fazer propaganda petista ou cumprir com a minha obrigação como professor de filosofia de questionar a massificação da propaganda ideológica golpista feita pelos meios de comunicação?

Acredito firmemente que a função da filosofia no ensino médio deva ser possibilitar que os alunos pensem criticamente a sociedade. Isso significa pensar por conta própria. E numa época de mídia de massa onde os meios de comunicação, principalmente a Globo que comprovadamente já participou de alguns movimentos golpistas na nossa história, determinam os rumos da política, temos a obrigação de desconstruir a ideologia dominante.
Ideologia essa que nos leva a passos largos para o abismo fascista.

Adorno após a Segunda Guerra já nos alertava da necessidade de uma Educação pós-Auschwitz.

Não temos portanto o direito de aderir à histeria da classe média, frustrada em suas pulsões consumistas durante um período de crise mundial.

Nem o niilismo, nem o individualismo pós-moderno atendem as necessidades de enfrentar o avanço fascistizante.

Apenas o apelo à razão, tão surrada nos últimos tempos, nos serve neste momento.

As classes se levantam e se conflitam no movimento dialético da história. Não há espaço para torres de marfim.

Heidegger não foi perdoado. Já conhecemos o mundo onde pisamos. Faz-se urgente transforma-lo.

Ou deixaremos a tristeza e a servidão como únicas heranças para os pensadores(as) do futuro.

O golpe está em andamento diante dos nossos olhos. O silêncio não é uma opção.

*Professor de Filosofia da Rede Estadual de Minas Gerais; membro da Direção Estadual do Sindute

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