09 março 2016

A participação feminina na África é um exemplo para o mundo


Ellen Johnson Sirleaf, atual presidente da Libéria, discursando para a mídia em uma Conferência em Londres, no dia primeiro de novembro de 2012. (Fonte: Wikipédia).

A União Interparlamentar (Interparliamentary Women Union) publicou, em primeiro de outubro de 2014, um ranking da representação de mulheres em Parlamentos nacionais. A classificação, realizada a partir dos dados informados por 189 parlamentos no mundo, evidencia um dado histórico e surpreendente: o país com a maior representatividade feminina do mundo é um país africano – Ruanda -, com 63,8% das cadeiras. Entre os 10 primeiros, ainda se encontram mais três países africanos:  Seychelles (4º lugar) , com 43,8%; Senegal (6º lugar), com 43,3%; e a África do Sul (10º lugar), com 40,8% das cadeiras parlamentares.

Luisa Diogo, primeira ministra de Mocambique, no Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, em 2009.
(Fonte: Wikipédia).
Muitos outros países africanos aparecem na frente dos grandes democracias ditas exemplos de consolidação democrática. Moçambique (14º lugar), Angola (19º), Tanzânia (22º), Uganda (24º), Argélia (28º) e Zimbábue (29º) variam entre 40 a 30% de mulheres nas cadeiras parlamentares. Com exceção da Alemanha, que aparece em 21º lugar, a maioria desses países aparece na frente da França, em 48º, do Reino Unido, em 64º lugar, e dos Estados Unidos, em 85º lugar. O ranking evidencia um dos maiores desenvolvimentos da política africana: o aumento considerável da participação feminina na vida política do continente.

Além do aumento das cadeiras parlamentares, a participação das mulheres cresceu em diversas outras frentes políticas: a Libéria elegeu, em 2005, Ellen Johnson Sirleaf como a primeira mulher presidente do continente, Joyce Banda foi eleita presidente da República do Malawi e Catherine Samba-Panza foi eleita presidente interina da República Centro Africana. Além disso, o continente já teve 9 primeiras-ministras desde 1993 e 12 mulheres vice-presidentes desde 1975.  Muitas outras ainda ocupam chefias de ministério e posições de liderança em organizações políticas nacionais e internacionais, como a sul-africana Nkosazana Dhlamini-Zuma, presidente da Comissão da União Africana.

Joyce Banda, presidente do Malawi de 2012 a 2014.  (Fonte: Wikipedia).
De acordo com a pesquisadora Aili Mairi Tripp, o aumento da participação feminina na África pode ser explicado por três fatores: a redução dos conflitos no continente; a expansão de direitos civis, consequência das transições de regimes autoritários para regimes híbridos pouco mais liberais, bem como da emergência de movimentos feministas organizados e institucionalizados; e, por fim, pressões externas de organizações não governamentais e organizações internacionais, como a ONU.

Seguindo na linha contrária do pessimismo que comumente se tem da política no continente, os dados revelam que os países africanos têm sido capazes de contornar seus obstáculos históricos e se posicionar como verdadeiros exemplos para outras democracias no mundo. Convidam-nos, também, a refletir sobre os aprimoramentos que as dinâmicas políticas e sociais próprias do continente têm a acrescentar às instituições democráticas, possibilitando-nos, inclusive, de encontrar soluções originais para antigos problemas.

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