29 fevereiro 2016

Prêmio Oscar: Tolerância de ficção. A alarmante hipocrisia

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Por Enrique Alpañés, do El Pais

Tudo pelas minorias, mas sem as minorias. O lema do despotismo esclarecido parece ter sido modernizado na moderníssima e politicamente correta Hollywood, e a frase resume o ambiente dominante na próxima cerimônia de entrega do prêmio Oscar. A mais recente voz crítica foi a prodigiosa de Anohni, cantora transgênero antes conhecida como Antony, de Antony and the Johnsons. A primeira transgênero a conseguir uma indicação para o Oscar anunciou em carta pública que não comparecerá à festa porque não deixaram que ela se apresentasse. A Academia achou que faz muito mais sentido pular sua interpretação para que um grupo mais mainstream tenha tempo de se apresentar à vontade, mesmo que não tenha sido indicado, como aconteceu com o Foo Fighters. É chover no molhado. Sua crítica se soma às feitas pela comunidade afro-americana devido à ausência de atores negros entre os indicados, pelo segundo ano consecutivo.

Vai se criar um grande paradoxo. A 88ª edição do prêmio Oscar vai ser apresentada por um negro, Chris Rock, que entregará prêmios a brancos. O público vai aplaudir a brava interpretação de Eddie Redmayne como primeira transexual da história (em “A Garota Dinamarquesa”) consciente de que os organizadores vetaram a ida ao palco da primeira transgênero a conseguir uma indicação. Tudo muito politicamente correto na aparência, com sua dose certa de diversidade racial, sexual e de gênero. Tudo muda para que tudo continue igual.

A cantora Anohni.
Mais de uma publicação viu na presença conjunta de “Carol” e “A Garota Dinamarquesa” entre os filmes indicados uma vitória para lésbicas e transexuais, as comunidades menos visíveis contidas na sigla LGBT. Pode ter havido algum avanço nos últimos anos, mas essas indicações, longe de serem revolucionárias, confirmam uma tendência repetida no setor nos últimos anos sem muito alarde.

Interpretar um papel de transexual é uma vantagem no Oscar, no caso de intérpretes hétero cuja sexualidade não esteja em dúvida. O fenômeno é semelhante ao de atrizes bonitas que se enfeiam para um filme (Cameron Díaz, Nicole Kidman, Charlize Theron, para dar alguns exemplos). Tudo começou com a brilhante Hilary Swank e sua atuação em “Meninos não Choram”. Felicity Huffman não ganhou o prêmio por seu papel em “Transamérica”, mas teve uma merecida indicação. Este ano foi a vez de Redmayne. Nenhum desses três filmes, todos de grande qualidade, obteve indicação como filme do ano. Não se quer premiar a bravura do diretor e dos roteiristas, não se quer destacar a importância das histórias narradas. Premia-se o valor de um ator por arriscar sua carreira, mesmo que por breve período, na pele dos que estão, sim, à margem da indústria cinematográfica.

 Fotograma de "A garota dinamarquesa".
 Não deixa de ser um contrassenso ver como Cate Blanchett aumenta seu (merecido) prestígio por interpretar uma lésbica, enquanto Ellen Page admite que ter saído do armário vai lhe tirar muitas chances de conseguir um papel de mulher heterossexual. Isso mostra a moral dupla de um setor tremendamente conservador. Exemplos como o de Ellen Degeneres e Neil Patrick Harris, intérpretes abertamente homossexuais de bastante sucesso, não desmentem a afirmação de Page. Harris saiu do armário quando já tinha o papel que o tornou famoso na série “How I Met Your Mother”, assim como Degeneres, com a longeva sitcom “Ellen”. Desde que ambos expuseram sua sexualidade seus papéis na ficção diminuíram drasticamente, mas eles se tornaram os apresentadores perfeitos para prêmios e cerimônias do cinema. Não valem tanto para fazer parte do setor quanto para ser a face visível dele quando premia outros. É isso que se repete neste ano com a função do apresentador, embora ligada a outra minoria – nesse caso, racial.

Chris Rock representa tanto os negros que não os representa

Falemos agora sobre o grande paradoxo encarnado pelo apresentador do Oscar. Chris Rock ficou sujeito a muitas críticas por participar da premiação, mas as queixas da comunidade afro-americana contra o ator não começaram este ano. Elas vêm de longe. Rock há muito tempo faz o papel de negro em suas atuações. Essa afirmação, que pode parecer bobagem, tem um sentido interessante. Revendo sua filmografia, vemos como se repete um padrão em seus papéis, sempre limitados a preencher a cota racial, de ser o simples colega do branco, um hétero de meia-idade que fica com toda a glória. É o que no jargão hollywoodiano é conhecido como token black guy, o negro com sotaque dos subúrbios pobres que nos filmes de ação solta frases espirituosas entre uma explosão e outra e que nos filmes de terror morre esfaqueado nos primeiros 30 minutos. Esse personagem padrão nasce da soma de estereótipos e parece mais ter sido criado por um especialista em marketing do que por um roteirista.

Pense nos papéis de Morgan Freeman na saga do Batman, de Samuel L. Jackson em “Pulp Fiction”, e de Denzel Washington em “Dia de Treinamento”. Falamos de personagens mais ou menos complexos, mais ou menos secundários, mas cujo leit motiv, cujo motor na trama, vai além de ser somente um homem negro. Eles são a antítese do token black guy, a antítese do modelo inócuo e politicamente correto que Hollywood tenta empurrar. Sabe como é, tudo pelas minorias, mas sem as minorias.
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28 fevereiro 2016

Do Ceert: 5 coisas que toda criança negra aprende na escola

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Desde janeiro de 2003 foi sancionada no Brasil a lei 10.639/03, que torna obrigatória a inserção, no currículo escolar nacional, conteúdos sobre a história e a cultura Afro-Brasileira e da África — antes da colonização pirataria européia.


Uma importante conquista para a educação de um país formado através da depredação e do silenciamento de tudo e todos que contrariassem a supremacia europóide. No entanto, infelizmente, mesmo após 12 anos de sua criação, a lei ainda não vingou — essa e a 11.645/08, que inclui a temática indígena desde 2008. Não são poucos os educadores que encontram desculpas para permanecerem na ilegalidade, e é pensando nestes exemplares profissionais que elaborei esta lista.

SUBALTERNIDADE AFRICANA

Em biologia ensina-se que o berço da humanidade é a África, porém nas Ciências Sociais, geralmente, pula-se do paleolítico para Grécia Antiga num piscar de olhos. Parece até que os filósofos gregos não se educavam no Egito (Kemet) — ou que as civilizações europeias clássicas não tinham A Terra dos Pretos como um norte. Em outras palavras: a história e a cultura africanas não começaram quando europeus decidiram escravizar a população negra e saquear suas terras, recursos e patrimônios. A história das pessoas negras não começou com a escravidão e vai além das dinastias faraônicas mencionadas, aqui, passageiramente.

A CRUELDADE DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA PERMANECE NA LÍNGUA

Embora respeitados linguistas brasileiros defendam que o português brasileiro apresenta forte influência do banto, o caráter crioulo da nossa língua — chamada inclsuive de Pretoguês — continua sendo invisibilizado em reverência ao maior vínculo herdado do colonizador. A língua portuguesa tida correta permanece a mesma imposta aos negros da terra e africanos subjugados no “Novo Continente”. E, ainda hoje, se você é uma criança negra ou indígena com pretensão de se tornar uma pessoa adulta respeitável, o mais apropriado a fazer é aprendê-la branquissimamentebem. Apesar dos perversos métodos para reprimir as diversas línguas-mãe, João do Rio registrou a existência de falantes de uma língua yorubanto no Rio de Janeiro do início do século XX, comunidades indígenas ainda preservam o que ainda é tratado com descaso pelas autoridades e a estrutura da nossa língua portuguesa é fortemente influenciada por isso.

CULTURA GERAL LIMITADA

Toda contribuição à cultura brasileira vinda dos colonos europeus e asiáticos são demarcadas na nossa cultura: tradições portuguesas, anglicismos, arquitetura espanhola, pratos da nonna, urbanização francesa, pastel chinês, Oktoberfest, “método japonês” etc. Porém o mesmo não acontece com todas as contribuições negras. A feijoada, o candomblé, o samba, a capoeira, o maculelê, o acarajé e tantos outros foram frutos apropriados pelo “patrimônio brasileiro”. Isto é, a pedra continua portuguesa, mas o afoxé cantando em iorubá tem patente brazuka. Estes elementos culturais, apesar de terem nascido em comunidades negras, foram adotadas usurpadas pela nação. Não por mera vilania, mas também porque sem os africanos e indígenas, a cultura brasileira não passaria de uma xerox vira-lata da cultura colonizadora, que ainda nos faz perceber tudo o que descende de africanos não-brasileiros como primitivo ou exótico.

GEOGRAFIA DEPAUPERADA

Para boa parte dos vestibulandos de hoje é mais fácil traçar uma linha do tempo remontando todos os fluxos de imigração européia e asiática que chegaram ao Brasil do que mencionar três das etnias africanas traficadas pra cá e fazer distinções entre elas tal qual é possível fazer das etnias-nações europeias. Os conhecimentos gerais sobre a conjectura política-cultura européia também são muito mais esmiuçados do que a do continente donde descendem metade da população tupiniquim. Não é incomum pautar a geografia africana somente para apontar seus vastos recursos naturais sem qualquer associação entre a exploração caucasiana disso com todos os conflitos e mazelas que os mesmos cultivam por lá.

REPRESENTATIVIDADE INSIGNIFICANTE

Pessoas negras louváveis são sempre exceção. Mártires ou massa anônima. Grandes nomes de um passado já ultrapassado, enquanto que pessoas negras que deram errado estão em qualquer noticiário ou estatísticas de miséria e violência. Como esperar que crianças construam uma imagem positiva de si mesmas quando nas escolas os próprios educadores, que se consideram pessoas cultas, beberam apenas da fonte hegemônica de conhecimento? Quando a maioria das pessoas com conhecimento a transmitir são brancas e as pessoas negras servem mais para guardar os portões, zelar pela segurança e pela limpeza dos alunos e da escola? Como podemos fortalecer nossas crianças quando a História nos conta que todos os negros que se revoltaram contra a opressão racista foram exemplarmente assassinados. Até mesmo aquele que pregava a manifestação pacífica, vestia terno, fala polidamente e cultuava o mesmo Deus europeu do opressor?

Enfim, poderia me delongar aqui e explicar mais razões pelas quais é necessário ampliarmos os nossos referenciais de sucesso, gênero, sexualidade, civilização, sociedade para além da ótica positivista dos europeus, mas o fato de, talvez, você não saber a que me refiro exatamente ilustra bem a falta que essas perspectivas fazem no ilustramento de qualquer pessoa. Traduz perfeitamente o tipo de deficiência que provoca a folclorização dos africanos e indígenas brasileiros. Então, caso você tenha alguma criança próxima em idade escolar, exija a coordenação pedagógica que cumpra com a legislação vigente para que um dia a nossa educação possa ser tão plural e acolhedora como pretendemos ser como nação.
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27 fevereiro 2016

“Conhecendo a Constituição Federal de 88 - Conhecer para Respeitar". Art. 5º

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Um dos artigos mais célebres da Constituição Federal de 1988 é, sem dúvida, o 5º.  Nele e por ele, todos as classes sociais deveriam se sentir protegidas e aptas a realizarem protestos quando percebessem que seus direitos estão sob ameaças. Deveriam.... Mas não é bem assim. Para entender o que ora se expõe deixo abaixo a redação:


 Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ....”. (Site do Planalto, acesso em 27 de fevereiro de 2016 às 09h22).

Quase todos os dias dados comprovam que o artigo supramencionado virou uma utopia para os menos favorecidos e uma falácia para as classes detentoras do poder (econômico, religioso e político). Segundo estudo do Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres e produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil aumentou 19,5%, enquanto a taxa de homicídios contra mulheres brancas caiu 11,9%. Em 2013 7,8 mulheres negras foram assassinadas todos os dias. Em geral, a taxa de homicídios cometidos contra mulheres no Brasil cresceu 8,8% no mesmo período. Há, portanto, uma discrepância entre mortes de mulheres negras e brancas, mas muitos insistem em usar o artigo para afirmar que há igualdade.

Indo um pouco maus fundo nas estatísticas o Carta Capital divulgou em 2012 dados que demonstravam a violência contra jovens negros no Brasil. Por ele ( os números são relativos a 2010) morreram no País 49.932 pessoas vítimas de homicídio; 70,6% eram negras. 

Para além de mulheres, mulheres negras e homens negros, há que notar ainda a marginalização dos indígenas. Ainda hoje várias tribos lutam incansavelmente para ter seus direitos garantidos e suas culturas respeitadas. Sendo vítimas diariamente de atos violentos, não tendo também acesso a serviços básicos e oportunidades de emprego.

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26 fevereiro 2016

‘Temos que sair da senzala’, afirma primeira juíza negra do Brasil

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Artigo publicado na Revista Afro em fevereiro de 2014

Em palestra realiza neste sábado (22), no auditório da OAB Piauí, a desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, Luislinda Dias de Valois Santos, atacou o atual sistema jurídico e defendeu a implementação de políticas públicas para os direitos das pessoas negras.



Segundo a magistrada baiana, que é a primeira juíza negra do Brasil, o racismo e a discriminação com pessoas negras no país ainda é muito forte, sobretudo, porque os negros não possuem cargos de comando. Luislinda, em um discurso emocionante sobre igualdade racial, defendeu a implantação de cotas e outras políticas sociais.

O único direito que o negro tem é não ter direito. Não podemos pensar que os brancos vão legislar por nós. Temos é que nos unir e fazer as nossas leis. Temos que sair da senzala”, afirma a desembargadora Luislinda Valois.

A palestra fez parte do 1º Seminário Estadual de Direitos Humanos e Diversidades, realizado pelo Grupo Matizes, em parceria com a Corregedoria Geral de Justiça (CGJ-PI).

O evento, que acontece desde quinta-feira (20) e encerrou hoje, abordou temas polêmicos, como direitos dos animais, direitos LGBT, direito de pessoas com deficiência, entre outros. Participaram cerca de 650 pessoas, entre estudantes de direito e serviço social, professores e militantes de movimentos sociais.

De acordo com a coordenadora de relações institucionais do Matizes, Marinalva Santana, o evento foi um sucesso, principalmente, devido à qualidade dos debates e das palestras. “Acertamos muito na escolha dos palestrantes convidados”, ressaltou.

A militante diz que o Matizes realizará, em breve, um seminário em parceria com o Poder Legislativo. “Estamos nos articulando e já contamos o apoio da deputada Margareth Coelho e do deputado Fábio Novo”, reitera Marinalva.

Conferências abordaram direito dos animais e de pessoas com deficiência

As conferências sobre direito dos animais e direitos das pessoas com deficiência encerraram as atividades dessa sexta-feira (21) do Seminário Estadual de Direitos Humanos e Diversidades. Os temas foram debatidos pelos advogados Savina Moura e Helder Jacobina, respectivamente.

O Direito Animal, por ser um tema inovador, foi importante para despertar a curiosidade dos participantes e evidenciar a diversidade de opiniões. Foi muito positivo tratar desse tema, já que ele não é debatido nem nas universidades e nem no meio jurídico”, destaca a palestrante Savina Moura.

A advogada explica, também, que nos últimos anos houve um significativo aumento no número de processos para serem julgados nos tribunais que dizem respeito ao direito animal. “Processos que envolvem herança e guarda do animal são bastante comuns”, exemplifica Savina Moura.

Encerrando as atividades da sexta-feira o advogado membro da Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência da OAB-PI, Helder Jacobina, proferiu a palestra “A evolução dos direitos das pessoas com deficiência”. Seu discurso foi pautado nas conquistas e nos avanços que as pessoas com deficiência obtiveram ao longo dos últimos anos.


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Mauro Donato no DCM: O Brasil precisa de uma lei antiterrorismo?

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Às portas dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, é de se supor que muitos se lembrem dos atentados em Munique (Alemanha) em 1972. O ato vitimou atletas e membros da delegação israelense. Natural, portanto, que alguém se preocupe com essa possibilidade e concorde que deveríamos ter uma legislação específica que trate de terrorismo uma vez que teremos um evento internacional de grande porte.


Esse é o argumento mais utilizado para a aprovação da lei que tipifica o crime de terrorismo que já foi aprovada anteriormente no Senado e ontem também na Câmara, faltando apenas a chancela da presidente Dilma.

Terreno pantanoso no qual há que se perguntar: Como um evento dessa envergadura concordou que os jogos fossem realizados em um país que não atendia essa preocupação? O COI não deveria ter visto isso antes?

Ora, se o Brasil não se adequava, simplesmente não aceitasse nem mesmo a candidatura. Se a legislação não estava adequada, uma pressão agora é muito perigosa. Elaborar e votar assim, em cima da bucha, algo tão complexo e polêmico pode deixar marcas extremamente prejudiciais ao estado de direito.

As penas podem chegar a 30 anos de prisão para atos definidos como “sabotagem violento ou potencialmente violento, motivado por xenofobia, discriminação racial, étnica ou religiosa cujo fim seja provocar terror generalizado” e que abrange ainda quem faça apologia ao terrorismo. As penas são aumentadas caso a apologia seja feita pela internet.

Há que se insistir nas perguntas. O que é terrorismo? Além de subjetivo, é algo muito flexível e mutante nos dias de hoje. Quem pode prever onde, com que método, qual o alvo? E como precisar a motivação? De quem?

Por isso é preciso olhar com muita atenção para todo esse auê que está se fazendo em razão das Olimpíadas. Ao invés de acelerar para aprovar uma exigência que precisava ter sido analisada lá atrás, o governo deveria antes de mais nada parar e refletir se a não aprovação assim afobada irá trazer algum prejuízo. Se irá fazer com que o COI cancele os jogos, por exemplo. Duvido muito. Agora?

Todo cuidado é pouco, mesmo com as alterações que partidos de esquerda exigiram retomando o texto original que procurava resguardar os movimentos sociais e manifestações de rua. Afinal, sabemos que sempre existem brechas para criminalizar alguém que esteja portando uma garrafa de água sanitária e mantê-lo preso por anos. Conhecemos bem como são aplicadas as leis aqui.

É realmente necessária uma lei anti-terrorismo no país? Talvez, porém diante do histórico nulo de atos de terroristas por aqui, não há a menor necessidade de atropelo em uma questão que pode mutilar a democracia. Muita calma nessa hora. O debate com a população não está sendo respeitado.



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25 fevereiro 2016

A gravidade do PL de José Serra sobre o pré-sal em seis motivos

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Por 33 votos a 31, o Senado votou ontem à noite para manter o regime de urgência na tramitação do PL de autoria do senador José Serra que permite às petrolíferas estrangeiras explorar o pré-sal sem fazer parceria com a Petrobras.

O voto "SIM" foi pela anulação do projeto do José Serra..
Dezesseis senadores estavam ausentes, dentre eles os petistas Walter Pinheiro e Jorge Viana. A senadora Lidice da Mata, do PSB, também poderia ter ajudado a reverter o resultado. Eram os três votos que faltaram.

O governo Dilma assistiu ao desastre à distância.

Milhares de brasileiros, enquanto isso, debatiam no twitter o destino dos integrantes do BBB.
Uma coisa, como notamos, está umbilicalmente ligada à outra.

Só um país idiotizado aceita a entrega de seu patrimônio a preço de banana. É uma decisão que dilapida a soberania nacional ao tirar poder da Petrobras.

O argumento de Serra é de que a estatal brasileira não dispõe de fundos para tocar a exploração do petróleo no ritmo em que deveria fazê-lo.

Portanto, segundo o tucano, é preciso acabar com a exigência de que a Petrobras tenha participação de ao menos 30% na exploração de cada uma das áreas do pré-sal.

Em discurso recente no Senado, o senador Roberto Requião (PMDB-Paraná) elencou seis motivos para sua oposição ao projeto de Serra.

Primeiro: Este é o pior momento para se vender uma grande reserva de petróleo extraído a baixo custo.

Segundo: Sem o Pré-Sal a Petrobras entraria em falência.

Terceiro: A Petrobras é fundamental para a segurança estratégica do Brasil.

Quarto: O desemprego avança no país. A Petrobras e suas operações no pré-sal são de extrema importância para a retomada do desenvolvimento e para combater o desemprego.

Quinto: A Petrobras e o Brasil devem reservar-se o direito de propriedade, exploração e de conteúdo nacional sobre o pré-sal, porque foram conquistas exclusivamente brasileiras após décadas de pesado esforço tecnológico, político e humano.

Sexto: O projeto Serra, que já era inconveniente e anti-nacional, com os baixos preços do petróleo passou a ser lesivo, um crime contra a pátria.

Requião, no discurso, estranhou a pressa para aprovar o projeto de Serra num momento em que alguns países praticam dumping de petróleo, numa guerra geopolítica. Fez a seguinte comparação: é como vender a própria casa a preço baixo com a garantia de que nossa mãe será mantida no cargo de cozinheira.

O senador paranaense também observou que o projeto de Serra está sendo tocado às pressas, sem passar por comissões, enquanto lobistas frequentam os gabinetes em nome de multinacionais como a Shell e a British Petroleum.

Repete-se, aqui, de forma atenuada, o caso da mineradora Vale, vendida a preço de banana por FHC: o ritmo de exploração do minério de ferro passou a ser ditado exclusivamente pela conveniência dos compradores e do “mercado”. Como denuncia o jornalista Lúcio Flávio Pinto, a demolição rápida de Carajás é um crime de lesa-Pátria.

O PL patrocinado pelo tucano Serra — e apoiado por Renan Calheiros, do PMDB — é visto como o primeiro passo para a entrega completa do pré-sal.

Em seguida viriam a volta do regime de concessão, aquele em que a petrolífera paga um valor adiantado ao Tesouro e fica com 100% dos lucros do petróleo extraído. É um regime que beneficia extraordinariamente as empresas estrangeiras, já que o risco de não encontrar petróleo nos campos do pré-sal é zero!

O governo Dilma já está patrocinando o desmantelamento da Petrobras, com a venda parcial ou total de vários negócios da empresa.

Não há dúvida de que a privatização da Petrobras, que Fernando Henrique Cardoso não conseguiu conduzir em seu governo, está no horizonte.

O senador Roberto Requião, no twitter, observou: “Teria o Brasil perdido a maioria no plenário do Senado para as multinacionais do petróleo? Ainda espero que não”.

Por sua vez, a Carta Maior escreveu, na mesma rede social: “Não é sugestivo destes tempos que o responsável pela funcionária-fantasma não tenha sido arguido pela mídia e lidere a entrega do pré-sal?”.

É uma referência ao fato de que José Serra emprega em seu gabinete a irmã da ex-amante de FHC, Mirian Dutra. “Meg” Dutra Schmidt bate o ponto no Senado mas não trabalha. Segundo Serra, está envolvida em um “projeto secreto”.

Com o resultado de ontem, a votação do PLS 131 segue em regime de urgência.

Como notou Paulo Henrique Amorim, a ação pública de Dilma em defesa dos direitos da 
Petrobras resumiu-se a publicar uma nota no Facebook.

Marta Suplicy, agora no PMDB, votou com Renan, Serra e Aécio.
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Fundação Palmares lança nota sobre transformação da capoeira em esporte

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A capoeira é mandinga, é manha,
é malícia, é tudo o que a boca come”.
– Mestre Pastinha

Na semana passada (16/02), em sua primeira reunião do ano de 2016, o Conselho Nacional de Esporte (CNE), presidido pelo ministro do Esporte, George Hilton, formalizou a resolução, aprovada nessa mesma instância, em 2011, que reconhece a capoeira como esporte.



A questão da regulamentação e esportização da capoeira é antiga e polêmica. Entidades que representam os capoeiristas e mestres de capoeira reagem ora com cautela, ora com firme oposição, haja visto que a regulamentação e profissionalização da capoeira pode representar a deslegitimação daqueles que foram responsáveis pela invenção, manutenção, transmissão e disseminação dos conhecimentos relativos à capoeiragem, em prol da figura do instrutor com formação em educação física. Tal ameaça foi inaugurada pelo Projeto de Lei da Câmara nº 31, de 2009.

Essa distorção reforçaria a desequilibrada relação entre os saberes, a qual reconhece e sustenta o conhecimento acadêmico como o portador da verdade e da precisão, descartando ou relegando os saberes tradicionais, populares e baseados na oralidade a condições inferiores de qualidade e técnica.

Para Mestre Suassuna, a transformação da capoeira em esporte de rendimento representaria um genocídio dos velhos capoeiristas e seus mestres. Em uma linha interpretativa mais moderada, os mestres Mão Branca e Antônio Dias, embora comemorem o reconhecimento, ponderam e são categóricos ao defender que a “capoeira é dos capoeiristas” e são eles que devem geri-la e definir seus rumos.

Dado ao fato da decisão ter sido oficializada recentemente, o Ministério do Esporte ainda não definiu qual entidade ficará responsável pela representação da capoeira. Praticantes e mestres temem que esta função seja atribuída ao Conselho Federal de Educação Física e suas regionais (Sistema Confef/Crefs), entidade, segundo os quais, não teria sensibilidade para lidar com uma prática tão multifacetada.

A capoeira como luta/arte marcial é apenas uma de suas expressões, a qual somam-se: a música, a dança e a cultura. A capoeira mescla resistência com ludicidade, força com leveza. Ademais, a capoeira, que surgiu como forma e espaço de sociabilidade para os negros vindos de África e aqui escravizados, é hoje elemento que remete seus praticantes a uma ancestralidade fundante e está consolidada como um dos símbolos mais relevantes do que chamamos brasilidade.

Na edição dos Diálogos Palmares, acontecida na cidade do Rio de Janeiro, em outubro de 2015, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmou que a capoeira “é, de fato, luta, mas ela é cultura, ela é lógica, é música, ela é sentimento de pertencimento [...] E uma coisa bonita da capoeira é que o bom capoeirista não é aquele que bate no outro, mas sim o que mostra que poderia bater, mas que, por civilidade, apenas encena a sua superioridade, enquanto o outro acolhe e tenta superar. Com isso, cria-se um processo positivo de disputa e de amabilidade dentro daquele processo.

A presidenta Cida Abreu, da Fundação Cultural Palmares (FCP), entidade responsável pela promoção e preservação da arte e da cultura afro-brasileira, posicionou-se em relação ao caso e garantiu que a “defesa da autonomia dos Mestres e a salvaguarda da capoeira fazem parte da missão desta Fundação, que está comprometida com essa importante manifestação cultural brasileira”.

“Uma proposta de profissionalização ou de conceituação da capoeira como modalidade esportiva põe em risco toda simbologia, referência e propriedade histórica desta matriz cultural ancestral.” – acrescentou a presidenta Cida.

Os defensores da medida, por seu turno, destacam que com isso as confederações e atletas da capoeira poderão ser beneficiados por programas e recursos disponibilizados pelo Ministério do Esporte, como o Bolsa Atleta.

Enquanto isso, Mestre Paulão Kikongo ressalta que essa iniciativa foi unilateral, autoritária e que envolve interesses que não os dos capoeiristas. O representante da Rede Nacional Ação pela Capoeira alerta ainda para o risco de transformar o capoeirista livre em um produto descartável para o mercado esportivo . (Acesse o abaixo-assinado organizado pela Rede)

Nós, da Fundação Cultural Palmares, acreditamos que classificar a capoeira como esporte de rendimento é aprisioná-la a um rótulo, que a desvirtua e descaracteriza tanto quanto os processos de folclorização.


Capoeira, patrimônio cultural

A complexidade e expressividade da capoeira levaram o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a registrar a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, em 2008, estando inscritos, no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes, respectivamente.

Seis anos depois, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) conferiu à Roda de Capoeira o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Para Jurema Machado, presidenta do IPHAN, o reconhecimento internacional serve, sobretudo, para colocar a todas as instâncias de governo do Brasil a “necessidade de assumir compromissos para com a salvaguarda desse bem, desde ações de promoção, valorização dos mestres, a preservação das características identitárias da capoeira, a formação de redes de cooperação, de transmissão desse conhecimento”.
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24 fevereiro 2016

Porque a professora e historiadora recusou o convite de Luciano Huck?

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Luana Tolentino, historiadora, professora e ativista do movimento negro reusou um convite do programa Caldeirão do Huck para participar de um quadro sobre o Dia Internacional da Mulher.

A professora e historiadora Luana (esq) se recusou a participar do programa de Luciano Huck.
Em seu perfil no Facebook, Luana, que já colaborou para Pragmatismo Político, diz ser contra a conduta do programa de “espetacularizar pessoas que têm histórias de superação” e em “objetificar o corpo da mulher negra”.

A professora também lembrou do polêmico episódio em que Luciano Huck, durante a Copa do Mundo, “usou o programa para oferecer brasileiras aos gringos (relembre aqui)”.

Leia a seguir a resposta de Luana:

Hoje [18 de fevereiro] à tarde fui surpreendida com um telefonema da produção do Caldeirão do Huck. Em março, o programa fará uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Segundo a produtora do programa “sou uma mulher inspiradora”. Por isso eles acharam que o Luciano Huck deveria me entrevistar.

Não aceitei. Minha decisão não se deu pelo fato do Caldeirão do Huck fazer parte da programação da Rede Globo, emissora pela qual tenho uma infinidade de críticas e há muito tempo não assisto. Longe disso. Não aceitei porque não me agrada a espetacularização que é feita com a vida das pessoas que tem uma “história de superação”.

Não aceitei porque não vou me prestar ao papel de reforçar o discurso da meritocracia, que discordo e combato com veemência.

— Luana, você é a prova de que quando as pessoas realmente querem, elas conseguem! — Foi o que a produtora me disse.

Mas não é bem assim. De fato, desejei estudar, desejei escrever, desejei ser professora. Me sinto grata, rica, realizada em poder fazer tudo o que eu sempre quis. Porém, provavelmente tudo teria sido muito diferente não fosse a estrutura desigual, racista e machista do nosso país.

Para chegar até aqui tive que romper barreiras visíveis e invisíveis. Nesse percurso fui me arrebentando de tal maneira que às vezes tenho a sensação de que sou toda quebrada por dentro. São questões que precisam ser ditas, mas a produção e o Luciano Huck não têm o menor interesse em debatê-las ou enxergá-las.

Concordo que nós negras e negros devemos ocupar espaços, que as nossas vozes devem ir para além da internet, da Academia, e no meu caso, da sala de aula, mas não acho que seja necessário perder de vista os compromissos assumidos: comigo mesma e com aqueles que represento através da minha fala e da minha escrita.

Respeito o trabalho da profissional que entrou em contato comigo. Por isso agradeci imensamente o convite. Por outro lado, não vejo o menor sentido em ser homenageada no dia 8 de Março pelo Luciano Huck, que durante a Copa usou o programa para oferecer brasileiras aos gringos, como se fôssemos mercadoria.

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22 fevereiro 2016

Museu da África: A história contada pelos protagonistas

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Continente com maior número de países, a África abriga ao todo 54 nações e é considerada o berço da humanidade. O local ainda possui uma das maiores diversidades étnicas de todo o planeta, que pode ser percebia nas mais diferentes culturas adotadas pelos povos que habitam suas cinco regiões.

O que não falta em África é história, esta que segue uma linha cronológica de milhares de anos até contemporaneidade, ao mesmo tempo em que planeja um futuro com ainda mais protagonismo. Para conhecer esta bela e profunda história da maneira mais interessante possível nada melhor do que pelo ponto de vista africano. Por isso indicamos os 10 museus mais interessantes que os viajantes não podem deixar de visitar no continente:

Popularmente chamado de Museu do Cairo, o prédio inaugurado em 1902 o prédio possui ao todo 120 mil itens que contam a história do Egito Antigo. Foto: Reprodução.
Museu egípcio – Cairo, capital do Egito, é um dos lugares mais misteriosos e intrigantes do mundo. Terra de lendas, mitos e mercados movimentados, a cidade abriga em suas ruas estreitas e de tráfego pesado um dos museus mais interessantes do continente. Popularmente chamado de Museu de Cairo, o prédio, inaugurado em 1902, possui ao todo 120 mil itens que contam a história do Egito antigo e é o lar do maior número de peças da era faraônica. O catálogo conta com tesouros do Rei Tutankhamon, faraó do Egito antigo, que fascinam os pesquisadores pelo fato de ter morrido precocemente (c. 1346 a.C. – 1327 a.C), ser enterrado e um túmulo relativamente simples e principalmente por ser uma das poucas sepulturas reais encontradas quase intactas.

Locado em Gana, o espaço tem como objetivo
criar uma nova era no meio cultural ganense.
Nubuke Foundation – Localizado em Gana, o espaço tem como objetivo criar uma nova era no meio cultural ganense. Em Ewe, uma das línguas oficiais do país, ‘nubuke’ significa ‘novo amanhecer’, título que ilustra bem este intuito. Estabelecido em uma charmosa casa cercada por árvores, o centro cultural não está na lista de suntuosos museus africanos, contudo marca presença aqui por incentivar, usando como trunfo práticas artísticas de um ponto de vista local sobre a história e a arte de Gana, evitando o clichê das versões contadas e curadas majoritariamente por estrangeiros. Entre obras que unem a arte do barro com as novas técnicas de esculturas, exposições que propõem o encontro entre videoarte e fotografia e galerias de artes plásticas, a fundação artística está sempre presenteando o mundo com os novos olhares africanos.

Concretizado a partir de doações de clientes e artistas, o museu contribuiu para o desenvolvimento social e cultural do país. Foto: Divulgação.
Museu Zinsou – Localizado na parte ocidental da África, o Benim tem pouco mais de oito milhões de habitantes e forte ligação com o Brasil. Hoje, o país é dono de um dos museus mais interessantes de toda a África. Criado há pouco mais de um ano pela Fundação Zinsou, o Museu Ouidah se tornou o maior museu de arte contemporânea do continente. Localizado na cidade de mesmo nome, o prédio traz ainda mais brilho para a já charmosa vila portuária, conhecida no Brasil por sua arquitetura que lembra muito Salvador e pela forte presença de afro-brasileiros que voltaram em busca de suas raízes, trazendo consigo sua cultura e tradições aprendidas no Brasil. Concretizado a partir de doações de clientes e artistas, o museu está se tornando referência no segmento e contribuindo para o desenvolvimento cultural e social da região, por meio da educação e do incentivo a criação artística e expositiva.

Referência em artes visuais no leste da África, a galeria se dedica a promoção das práticas artísticas inovadoras e contemporâneas do Quênia. Foto: Divulgação.
Kuona Trust – Referência em artes visuais no Leste da África, a galeria se dedica a promoção das práticas artísticas inovadoras e contemporâneas do Quênia. Organização sem fins lucrativos, o Kuona foi fundado em 1995 e promove o trabalho de cerca de 500 artistas, além de capacitar outros milhares.

Com o quê de abstrato, as milhares de estátuas formam o Museu Tengenenge, criado em 1996 e que já recebeu
obras de três gerações de artistas. 
Tengenenge – Em uma pequena vila do Zimbabwe entre o centro e o norte está localizado um lugar mágico e repleto de esculturas de pedra serpentina que podem chegar até dois metros de altura. Com um quê de abstrato, os milhares de estátuas formam o Museu Tengenenge, criado em 1996 e que conta com obras de três gerações de artistas. Tengenenge é fruto da criatividade de 150 famílias artistas. O local, uma verdadeira plantação de esculturas, é um dos mais renomados do país e possui como filosofia o não uso de aparelhos elétricos na confecção das obras e a autoaprendizagem. Vale a pena conhecer.

Situado na segunda maior cidade de Burkina Faso, Bobo - Dialasso, um pequeno e rico museu conta a história da música tradicional do país. 
Museu da Música – Inegavelmente a música é um dos pontos fortes da África, isso pela sua diversidade e variação de gêneros. Pois em Burkina Faso toda esta efervescência está documentada no Musée de La Musique. Situado na segunda maior cidade de Burkina, Bobo-Dioulasso, este pequeno museu, com cinco salas acanhadas é dono de uma coleção de mais de 40 tipos de instrumentos tradicionais.

Para explicar os caminhos percorridos pela música no país, os visitantes têm acesso a um documentário e complementam o aprendizado quando entram em contato com instrumentos únicos como tambores, flautas e os famosos djembes. Em sua humildade, o Museu da Música de Burkina Faso brinda o público com uma rica e valiosa coleção.

Museu do Apartheid – Durante muito tempo Joanesburgo, maior cidade da África do Sul, viveu momentos tristes de racismo e intolerância onde brancos e negros eram proibidos de se “misturarem”. Este tempo que perdurou por 40 anos ficou conhecido como apartheid (vidas separadas em africâner), período que é documentado em um museu homônimo e parada obrigatória para os que querem entender melhor a história.

No museu, a linha do tempo da segregação racial é contada de forma didática e interativa. Tudo é muito real e forte. Logo na chegada, para sentir o que era ser negro ou branco naquele tempo, o visitante recebe um bilhete que levando em consideração sua cor de pele, lhe dá acesso a entradas diferentes. Com inúmeras referências a Nelson Mandela, símbolo da luta contra o regime, o museu é extenso e exige bastante disposição, pois há muito que se ver, sentir e refletir.

Village Museum – Formado com o objetivo de demonstrar e preservar a cultura dos grupos étnicos da Tanzânia, o museu localizado na cidade de Dar Es Salaam apresenta um importante registro histórico da arquitetura do país. Pensado para abrigar as artes a céu aberto, o espaço reconstituiu as variadas habitações de cada uma das populações nacionais, revelando as tecnologias indígenas utilizadas durante sua construção.

Integram o acervo as seguintes comunidades tradicionais: os Wazaramo, predominantemente islâmicos e habitantes da costa de Dar Es Saalam, os Nayambo, pessoas de língua Bantu, conhecidos pelas habilidades de confecção de cerâmica, os Maasai, grupo étnico Nilotas seminômade e original da região no Nilo, os Gogo, que vivem na região de Dodoma, no centro da Tanzânia, em casas sustentadas por estacas de madeira e suplementadas por galhos mais finos e por fim os Fipa, também de língua Bantu e habitantes do sudoeste do planalto da Tanzânia.

Museu Maropeng – Como foi abordado no início, o continente africano é considerado o berço da humanidade. Precisamente em Sterkfontein está um museu que dá aos visitantes a chance de reviver a história desde o nascer da primeira célula até o desenvolvimento das 1.3 milhões de espécies em todo o mundo. Interativo e com toques de modernidade (com direito a passeio de parco dentro da exibição) o espaço é casa do mais antigo fóssil do mundo, Little Foot, que habitou as cavernas da região e acabou desbancando Lucy, da Etiópia na corrida de “precursor” da raça humana.

Galeria de Arte Matisse – O espaço que fica em Marrakech, no Marrocos, possui 12 anos de vida e é uma instituição reconhecida dentro e fora do país. O local foi fundado com o objetivo de promover a arte marroquina e desenvolve trabalhos que servem de plataforma para artistas contemporâneos. Os ambientes são tomados por quadros, poltronas e obras diversificadas que ilustram a riqueza da cultura local.





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